domingo, 6 de novembro de 2016

Opinião - As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North


Quando o meu bom amigo Fiacha disse que iria ler "As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" da escritora Claire North eu achei que era a desculpa perfeita (e sim às vezes precisamos de uma boa desculpa) para também eu ler e assim darmos (quase ao mesmo tempo) a opinião sobre o mesmo livro.


"As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" da escritora Claire North é um daqueles livros deliciosamente estranhos O título diz ao que vem e não é uma metáfora qualquer sobre uma vida parecer muitas, não, aqui vamos mesmo conhecer um tipo que vive (pelo menos) quinze vidas e o seu nome é August, Harry August (não consegui evitar a piada e além disso numa das suas vidas ele foi um agente secreto, portanto estava mesmo a pedi-las). O Harry faz parte de uma raça (acho que podemos pensar assim) de pessoas, os Kalachakras ou Ouroborianos, que quando morrem renascem novamente para a mesma vida, mas com as memórias das suas vidas anteriores intactas. O conceito não é propriamente novo, mas a maneira como a Claire North (um do pseudónimos de Catherine Webb) trata o assunto é realmente de louvar.
A narrativa é feita na primeira pessoa pela voz do Harry August e é ele que nos vai guiar pelos prazeres e dissabores, porque isto de viver muitas vidas não é só pontos positivos em especial para quem nasceu em mil novecentos e dezanove (como o galo), de quem retorna ao ponto de partida de cada vez que morre. Só isto seria só por si suficiente para termos um livro interessante, mas a sua autora vai um passo mais longe e junta um vilão ou será um antagonista, ou outro adjectivo que me falta? O facto de não ter a certeza (muito longe disso) de qual o melhor termo para descrevo-lo já diz muito sobre a complexidade da história o que eleva este livro a um patamar ainda maior. Só para vos dar uma ideia desta complexidade quando começam a ler o livro não dão por isso. Confusos? Pois eu também fiquei. Percebo agora, mas foi preciso ter chegado ao fim, mesmo ao fim, do livro para perceber. É Ouroboros a serpente que morde a própria cauda (sim sim, aqui o menino saber consultar a Wikipedia).

Como podem já ter lido na contra capa ou no site da Saída de Emergência tudo começa "aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se". Pessoalmente acho que este evento é mais um catalisador do que o começo, mas também não vou ser picuinhas. Ora isto só poder estar a acontecer porque um Kalachakra se está a portar muito mal e anda a alterar o normal desenvolvimento da história e como vamos descobrir existem precedentes do quanto isto pode ser perigoso. Não vou e nem quero estar aqui a estragar-vos a história revelando alguns dos pontos de interesse da mesma. Será suficiente dizer que esta foi uma leitura que me deu muito gosto. Tanto assim foi que para mais rapidamente avançar (e também para vencer o Fiacha...) li em português (e em formato fisico) em casa, e fora de casa em inglês em formato digital no telemóvel, aproveitando assim todos os momentos possíveis. 


Para não dizerem que só disse bem do livro aqui fica uma "coisa" que eu acho que irá "afastar" alguns leitores: as divagações de Harry August. A narrativa não é exactamente linear, bem mais ou menos. Começamos no ponto A e terminamos no ponto Z, mas para lá chegar andamos um bocadinho aos saltos, ao sabor das marés da memória do Harry. Tudo fará sentido, mas sabendo que muitos leitores não gostam deste tipo de "artimanhas" narrativas deixo já o aviso. Apesar de pessoalmente gostar deste tipo de "truque" narrativo, achei que existiram momentos em que eles não eram necessários. Apesar de enriquecerem a história, no seu todo travam o embalo da narrativa, como se fossemos num carro que alterna a aceleração com travagem bruscas para irmos devagar (esta analogia não me saiu bem, mas vocês perceberam).


E agora um pequeno apontamento sobre as edições. Ao contrário da edição "oficial"  da Saída de Emergência e que é a edição do Fiacha (e da qual podem ver a capa logo no topo deste texto) a minha edição foi integrada na colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica fruto de uma parceria entre a SdE e o jornal Público e que foi publicada em Abril deste ano, e aquando da saida, este livro era o único inédito da colecção. Para além de uma capa diferente esta edição conta ainda com um magnifico prefácio da Inês Botelho e um posfácio do Nuno Galopim que, a julgar pelo excerto no site da Saída de Emergência, também está presente na edição "oficial" o que é uma mais valia.

Em jeito de conclusão este é um extraordinário livro e que merece sem sombra de dúvida a vossa atenção e tem o selo de aprovação do João Barreiros. Dúvidas? Não há nem pode haver.



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Brandon Sanderson em Portugal



Mais uma grande iniciativa da Editora SDE ao trazer a Portugal o autor da serie Mistorbn - Nascidos das Brumas, uma serie que gostei bastante e que recomendo.

Espero que corra tudo bem e que seja um sinal que a editora possa publicar mais livros do escritor.

domingo, 16 de outubro de 2016

"Os Venenos da Coroa" de Maurice Druon


Sinopse:

Apenas alguns meses depois da morte de Filipe, o Belo, os conflitos, as intrigas, os ódios e a luta pelo poder ameaçam submergir a França numa instabilidade devastadora. O legado de 3 décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias.

Estava-se no verão de 1315. De acordo com o cognome por que é conhecido na corte, Luís, o Teimoso, começou a regência com a obsessão de se livrar da mulher, Margarida de Borgonha, e de sentar a seu lado uma nova rainha. Com Margarida assassinada e a bela princesa Clemência, da casa de Anjou-Sicília a caminho, vinda de Nápoles, para se tornar rainha de França, Luís X parece preparado para assumir a responsabilidade pelo seu reinado.

No entanto, num alarde de grandeza, próprio de quem tem o poder, mas não a capacidade de o conservar, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres, enquanto o seu povo morre de fome.

No Mediterrâneo, as tormentas mergulham os pensamentos da futura rainha Clemência nos mais negros presságios. O veneno volta a correr nas veias de França, e nada parece poder evitar que venha a ameaçar a Coroa.

Descubra Os Venenos da Coroa, o segundo volume da a saga de Os Reis Malditos que inspirou os livros de George R. R. Martin, autor de A Guerra dos Tronos.

Opinião:
Que grande leitura! Sério candidato a livro do ano. Sinceramente mais parecia que estava no universo de Westeros tal a semelhança na escrita e nos enredos criados por George Martin, apenas faltaram os elementos fantásticos e mesmo assim até se encontram aqui situações muito bem introduzidas como a previsão de que determinadas personagens vão morrer.

O livro está muito completo, com personagens muito cativantes, misteriosas e bem desenvolvidas. A escrita é fantástica, quem conhece o estilo de escrita de George Martin percebe o que quero dizer. Quanto ao enredo está repleto de guerras pelo poder, conspirações, escândalos, traições, reviravoltas, mas tudo escrito de uma forma que nos faz suspirar por saber mais a cada página que vai sendo lida. Se tudo isto é verdade, por outro lado, acabamos por perceber bem o que está em jogo pois o escritor vai fornecendo informações sem nunca tornar a leitura descritiva.

O livro foi muito bem encerrado, fecha-se um ciclo e abrem-se novas perspetivas, ficando o leitor com muita curiosidade por saber que rumo o escritor tomará, deixando em aberto vários caminhos e com a curiosidade de saber que papel terão ainda os Templários, os banqueiros Napolitanos, quem será o eleito para governar a coroa? Tenho mesmo que ficar por aqui para não efetuar nenhum spoiler.

Que os livros seguintes sejam publicados em breve. É do melhor que tenho lido a nível de Romance Histórico e uma coisa é certa: quem gosta de George Martin vai adorar este escritor. A não perder!

Mais que recomendado, de leitura obrigatória, mais uma grande aposta da Editora Marcador.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

"O Último Desejo" de Andrzej Sapkowski



Sinopse:

(...) uma perspetiva refrescante no género da fantasia." - Foundation 

O seu nome é Geralt de Rivia. Dizem que é um bruxo e um assassino sem misericórdia que vagueia pelo mundo à caça de monstros e predadores. Mas na verdade vive de acordo com o seu próprio código de conduta. A sua espada serve, em troca de uma recompensa, poderosos reis amaldiçoados, mas também os mais desfavorecidos.
Ao longo das suas viagens, Geralt encontra todo o tipo de criaturas – algumas saídas da mitologia eslava e dos contos populares dos irmãos Grimm – como vampiros e lobisomens, elfos, quimeras e estriges, trolls e génios que o tentam, satisfazendo todos os seus desejos.
Mas este é apenas o início das suas aventuras como viajante e feiticeiro que irá desafiar o destino num mundo em que criaturas de todas as raças coabitam numa paz precária prestes a despedaçar-se…


Criticas:

"Tal como China Miéville e Neil Gaiman, Sapkowski pega em velhos clichés e dá-lhes nova vida, oferecendo-nos uma perspetiva refrescante no género da fantasia."-Foundation

"Sapkowski tem um talento fenomenal para a narrativa e enredo, conseguindo criar uma atmosfera sugestiva e construir o suspense sem perder nunca o sentido de humor ligeiramente cínico e brilhante."-Jacek Sieradzki, Polityka

"Sapkowski é muito bom a criar personagens imaginativas e interessantes com níveis de profundidade raros... O Terceiro Desejo é um livro que entretém imenso com as suas histórias dominadas por melancolia e sentido de humor."-The Wertzone


"O universo do The Witcher é um dos mais detalhados e bem explorados na fantasia moderna, oferecendo inúmeras ideias ricas... As relações complexas entre as personagens enriquecem um universo já de si complexo."-B&N


"O Terceiro Desejo de Sapkowski é uma obra centrada no bruxo Geralt de Rivia - um feiticeiro pertencente a uma rara espécie que caça monstros e que é temido pelos inocentes. Combinando os mitos e folclore eslavo, belas princesas e demónios astutos, o autor oferece-nos uma leitura de grande deleite."-Waterstones


"É a sua experiência do mundo combinada com os seus poderes em batalha que tornam Geralt de Rivia numa personagem tão cativante."-Edge

Opinião:

Depois de partilhar esta sinopse e estas criticas vale a pena dizer mais alguma coisa ? 

Nunca pensei gostar tanto deste livro, do melhor que li publicado pela SDE neste género literário e como a editora publicou grandes obras de fantasia, parabéns por mais esta grande aposta.

Gostei muito quer a nível da escrita, que nos cativa e envolve de tal forma que estamos sempre desejosos de saber como cada aventura acaba, quer a nível de personagens (logo no primeiro conto é-nos feita uma boa descrição de quem é Geralt), tal a qualidade que nos é apresentada em cada conto e a forma como elas são desenvolvidas. A somar a tudo isto, é-nos oferecido um universo rico e muito variado.

Muitas vezes sou crítico aos elementos de fantasia apresentados nos livros, pois tiram um pouco de veracidade à história ou acabam por ser mal aplicados, não acrescentando mais valias ao enredo, mas aqui a fantasia é muito bem explorada e apresentada, de forma muito criativa. Foi sem duvida uma das mais valias do livro, mesmo não apresentando monstros muito diferentes do habitual.

Um livro que recomendo a todos sem reservas, em especial aos amantes de fantasia, só desejo que faça muito sucesso e que os livros seguintes não demorem a ser publicados.

domingo, 9 de outubro de 2016

"As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" de Claire North - Divulgação



Sinopse:

"Maravilhoso e cativante." - The Guardian


Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele? A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se. Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.


Leitura para breve e tenho tido boas referências, podem saber mais aqui

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

"Os Hóspedes" de Sarah Waters e oferta de "Cada Dia é um Milagre" de Yasmina Kadra



1922. Londres vive dias de tensão.

Numa casa de gente bem-nascida, no sul da cidade, cujos habitantes ainda não recuperaram das perdas devastadoras da Primeira Guerra Mundial, a vida está prestes a modificar-se. 
A senhora Wray, e a sua filha Frances – uma mulher com um passado interessante a caminho de se tornar uma solteirona – vêem-se obrigadas a alugar quartos. 
A chegada de Lilian e Leonard Barber, um jovem casal da «classe média», traz uma série de perturbações: a música do gramofone, o colorido, o divertimento. As portas abertas permitem a Frances conhecer os hábitos dos recém-chegados. 

À medida que ela e Lilian são empurradas para uma amizade inesperada, as lealdades começam a mudar. Confessam-se segredos e admitem-se desejos perigosos; a mais vulgar das vidas pode explodir de paixão e drama. 

A autora de Afinidade e Falsas Aparências, entre outros, surpreende-nos, uma vez mais, com esta história de amor que é também a história de um crime. 

Esta é Sarah Waters no seu melhor: tensão permanente, ternura verdadeira, personagens autênticos e surpresas constantes. 

LIVRO DO ANO – Sunday Times


Oferta do livro:



Viva,

Venho divulgar uma campanha que considero fantástica, na compra do livro "Os Hóspedes" de Sarah Waters oferecem o livro "Cada Dia é um Milagre" de Yasmina Kadra, um livro brilhante e que só por si já vale o preço do livro,

Podem ver a promoção aqui


 A não perder

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Ilha de Entrada de Peter May


Sinopse:

O detetive Sime Mackenzie não olhou para trás ao entrar a bordo do pequeno avião no aeródromo St. Hubert, em Montreal. Para Sime, a viagem de 1300 quilómetros que tinha pela frente era uma oportunidade de fugir aos braços amargos da solidão e da mágoa que abarcavam a sua vida na cidade. Integrado numa equipa de oito investigadores, Sime viaja com destino ao golfo St. Lawrence. Com apenas dois quilómetros de largura e três de comprimento, Entry Island tem uma população de pouco mais de 130 pessoas e o habitante mais rico acabou de ser assassinado na sua própria casa.A investigação parece não ser mais do que uma mera formalidade. Todas as provas apontam para um crime passional e a mulher da vítima é considerada a assassina vingativa. Mas, para Sime, a investigação fica virada do avesso quando se vê frente a frente com a principal suspeita e se convence de que a conhece - embora nunca se tenham encontrado antes. Assombrado por esta certeza, as suas noites são inundadas por sonhos de um passado distante, numa ilha da Escócia, a quase 5000 quilómetros de distância. Nestes sonhos, a viúva da vítima tem um papel principal no desfecho. A certeza de Sime torna-se uma obsessão e, apesar das provas incriminatórias, ele dá por si convencido da inocência da mulher.

O resultado é um profundo conflito entre o dever profissional que Sime tem de cumprir e o destino pessoal que o espera.


Opinião:

Mais um grande livro deste escritor, que caminha a passos largos para se tornar o meu favorito a nível de policiais, uma agradável surpresa pois pensei que se tratava da continuação dos livros anteriores do escritor (A Casa Negra e Um Homem sem Passado) e fui bem surpreendido.

Quanto ao livro, repito o que já tinha dito em relação ao último livro que li do Peter May, a história está muito consistente, não temos aqui grandes acontecimentos, tipo fantásticos ou fora do normal, aqui a história faz-me, em certa medida, lembrar mais uma aranha que vai tecendo a sua teia e nos vai deixando presos à medida que vamos avançando com a leitura do livro, muito interessante e bem conseguido a forma como o livro foi estruturado, planeado com personagens muito consistentes e bem desenvolvidas.

Um livro que apresenta dois tempos de ação e que ambos me agradaram muito, serviu para aprofundar mais as personagens, bem como a parte histórica estar muito real, bem desenvolvida e que nos cativa, sem duvida que foi uma mais valia para o enredo.

Não queria estar a desenvolver muito mais a trama, mas posso dizer que é um dos melhores policiais que li até hoje, e sem duvida que fará as delicias para quem gosta deste género literário, a não perder pois estamos na presença de mais um livro de muita qualidade.

Vale sempre a pena variar um pouco as nossas leituras e aqui está mais uma prova em como fiz bem apostar noutros géneros literários, só espero que a Editora continue a publicar mais livros do Peter May.