sábado, 26 de abril de 2014

A Invenção de Leonardo - Paul J. McAuley



E se todas as invenções de Da Vinci funcionassem realmente?

O que aconteceria se Leonardo da Vinci ignorasse a pintura e dedicasse o seu génio exclusivamente à mecânica e engenharia, criando protótipos das máquinas que desenhou nos seus famosos Cadernos? É esta a ideia de A Invenção de Leonardo, onde as suas invenções acabam por desencadear uma Revolução Industrial em pleno período do Renascimento.Com um talento singular para imaginar, descrever e fazer sonhar, Paul McAuley arrebata-nos para as ruas tortuosas desta Florença alternativa, onde máquinas a vapor se misturam com artistas, príncipes e filósofos. E quando um assistente do famoso pintor Rafael é assassinado, é Pasqual, um jovem aprendiz de pintor, e Nicolau Maquiavel, o famoso estadista, que vão atrás do assassino. Mas o que descobrem é uma teia perigosa de espionagem industrial, conspiração e magia negra, que envolve não só as repúblicas italianas, mas também a poderosa Espanha, a Inquisição e o próprio Papa.

A Invenção de Leonardo convida-nos a fazer uma viagem única, tão original quanto arrebatadora, onde personagens de ficção se cruzam com grandes figuras da época, como Copérnico, Miguel Ângelo, Rafael, Maquiavel e a própria bela e misteriosa Gioconda. E no final todos fazemos a mesma pergunta: E se tivesse sido assim?

Opinião:

Quanto mais vou apostando na leitura de livros mais antigos publicados na Coleção BANG, mais vou descobrindo verdadeiras pérolas, como são todos os livros de Dan Simmons ou Algo Maligno Vem Ai de Ray Bradbury e fico surpreendido por deixar passar livros com esta qualidade, mas penso que na altura investi muito na leitura de sagas e livros de escritores como Anne Bishop, George Martin, Feist, Robin Hobb, não dando a devida atenção a livros como este.

Com um enredo muito bem desenvolvido e que nos vai deixando cada vez mais ansiosos por saber mais do que está por trás desta conspiração toda, sabendo-se de antemão que são as invenções do Grande Engenheiro que são objeto de cobiça, repleto de personagens ricas, conforme podem ver pelo resumo do livro, este é sem duvida um livro muito interessante, bem escrito, repleto de intrigas que nos vão deixando presos.

Gostei de várias personagens, mas penso que o livro vale mais pelo seu todo, temos uma mistura de Romance Histórico, sobre esta fase muito rica da história, Policial, Aventura, Magia Negra com uma boa dose de mistério e conspiração.

Sem duvida que estou a gostar de conhecer mais sobre grandes personagens, depois de Charles Dickens e Edgar Alan Poe, agora foi mais um universo repleto de personagens interessantes com Leonardo da Vinci como centro de todo o mistério.

Confiram por vocês um livro que está a um preço bem simpático e que tem de todo a minha recomendação conforme podem ver aqui

terça-feira, 22 de abril de 2014

Dia Mundial da Terra

Hoje é o Dia Mundial da Terra

Como tal, o amigo Corvo pediu-me para escrever um texto alusivo ao dia :) E como não custa nada relembrar as pessoas de pequenas práticas que podem ajudar a salvar o planeta, um dia de cada vez... aqui vai!

Já ouviram falar de pegada ecológica? Para quem não sabe, pegada ecológica é uma maneira de medir a quantidade de recursos necessários para sustentar as gerações actuais, ou seja, serve como um indicador de sustentabilidade ambiental.

Existem várias maneiras de reduzir a nossa pegada ambiental (umas mais viáveis do que outras dependendo do quão longe moramos do trabalho ou do quão necessitamos de determinado recurso, por exemplo)... vou aproveitar para indicar algumas:

- Se morarem perto do trabalho porque não irem de bicicleta ou a pé sempre que estiver aquele dia radioso? :) Aproveitam para fazer um exercício extra e a natureza agradece!

- Se morarem perto de colegas, porque não dar uma boleia de vez em quando para o trabalho? Assim o gasto do automóvel é menor, o consumo de combustível é menor e pelo menos sempre vamos com companhia… mesmo que seja a falar de trabalho logo de manhã :)


Em casa também podemos fazer muitas coisas que ajudam a reduzir a nossa pegada ecológica... por exemplo:

- Substituir as lâmpadas incandescentes por fluorescentes que, além de serem mais amigas do ambiente, são mais económicas e dão a mesma quantidade de luz!

- Colocar as máquinas de lavar louça e roupa a trabalhar apenas quando estão cheias... por vezes pode ser mais difícil mas o importante é fazer dos dias difíceis apenas uma excepção e não a regra!

- Sempre que lavarmos os dentes, não deixar a água a correr enquanto os escovamos... enquanto estamos entretidos a deixar os nossos dentes mais brancos, a água que escorre na pia está a ser desperdiçada... reflecte-se numa conta de água mais elevada e que equivale apenas a desperdício... é só fechar a torneira e voltar a abrir quando precisarmos de enxaguar a boca! Esta, para mim, é uma das medidas mais fáceis... mas que vejo ser tantas vezes ignorada…


- A mais importante de todas (na minha opinião) e que, felizmente, está a entrar em casa de cada vez mais pessoas... a reciclagem! 

É muito importante proceder à reciclagem do nosso lixo…

Por exemplo...

Sabiam que um saco de plástico demora entre 30 a 40 anos até ser degradado no oceano? E que durante esse tempo pode, ou será mesmo, ingerido por uma tartaruga que acabará por morrer pela ingestão deste resíduo? 



E a borracha? Ninguém sabe exactamente quanto tempo demora a ser degradada no ambiente… por isso o seu tempo é considerado indeterminado… e é tão prejudicial quando deixada em qualquer local… é que invariavelmente tudo vai parar aos oceanos… de uma maneira ou de outra…



Porque não tentar mudar alguns hábitos... sei que é impossível mudar tudo... mas o que se pede é apenas para mudar o que é possível... um dia de cada vez... no fim do dia não custa nada e acabamos por salvar um pouco a Natureza… :)


E no que toca à reciclagem... qualquer dúvida, não há mal nenhum em dar uma "espreitadela" à cábula ;)

wavegirl

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Cidade das Letras

As letras andaram à solta em Fiacha, um enigma para o Corvo Negro, será que o consegue resolver? De lupa e boné aos quadradinhos, levanta voo à procura de mais um pergaminho ....

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Cidade das Letras


E se eu te contasse um segredo? Este pergaminho é dedicado a todos os escritores, a todas as mãos que gostam de escrever. Não as que escrevem só para vender, apenas as que escrevem pelo belo prazer de escrever e partilham graciosamente a sua escrita para ser admirada. É também dedicado a todos os leitores que gostam de ler histórias e não textos avaliados, ler pelo simples prazer de conhecer, aprender para si e para partilhar com os outros. Esta é a história de todos nós e de todos nós é feita esta história. O pergaminho abriu e uma brisa sorriu.

Há muitos, muitos anos atrás, ouvir as letras contar histórias fazia parte do crescimento do ser humano. Aprendiam-se em tenra idade, alternando os ditados adequados à idade e ouvidos das crianças. Mas estas crianças cresceram e tornaram-se adultos.

Enquanto a inocência era um portal para uma mente cheia de imaginação, a mãe da inspiração, as crianças liam e liam as inúmeras histórias que os adultos guardavam e, as letras de mãos dadas, mostravam-lhes mundos encantados. 

À medida que iam crescendo, as histórias da vida real, faziam os adultos esquecer os livros que liam. E as letras, deixaram de ter voz para se fazerem ouvir. Parecia que ouvir as letras deixava de ter a mesma importância 

Muito mudou na vida dessas crianças que se tornaram adultos. Estas deixaram de ler. O adulto que caminhava para velho achava que não precisava das letras, ele sozinho já conhecia tudo e rapidamente se esqueceu do que um dia ouviu contar. A leitura era coisa de gente pequena.

As letras lá permaneciam, anos após anos numa escuridão total, abandonadas dentro das páginas que envelheciam matando-as aos poucos. 

Havia adultos que assustavam-se menos com o decorrer da vida e com as histórias reais que a compunha. Havia letras que perduravam na vida destes até a sua velhice despedir-se delas. Casos raros. Para outros, as letras foram completamente esquecidas e, também estas, esqueceram o rosto humano e o calor da mão que as desfolhava. 

E no colapso da ignorância, algo aconteceu!

Conta a lenda que essas crianças no momento da transição para adulto, originaram um tremor de terra nos seus corações, e deixaram cair todos os livros, entretanto abandonados, das suas prateleiras. Quando estes chocaram no chão, todas as suas letras, soltaram-se das páginas dos livros e espalharam-se no vento que as levou a conhecer o mundo exterior. 

As letras conheceram outras que até então nunca tinham visto, vislumbraram lugares de que nunca tinham feito narrativa e deixaram-se levar orgulhosas no vento libertador. Este, levou-as para um local desprovido de seres humanos. Tratava-se de um castelo perdido algures numa cidade erguida sobre uma montanha, também ele esquecido no tempo. 

As letras acenaram ao vento que partiu. Entraram no castelo e percorreram as suas salas onde encontraram pergaminhos virgens e frascos de tinta novos com penas de escrever por estrear. As letras regozijaram-se de tal tesouro. Ao longo dos anos foram decorando os pergaminhos com os textos de que fizeram parte, descrevendo essas histórias, os saberes, a experiência da viagem que fizeram pelo mundo. 

As penas de escrever recolocavam-nas nos pergaminhos. As letras voltavam a erguer-se e eram reescritas de novo. A pena de escrever não tinha poder para criar letras novas sem a mão que escreve. Apenas podia construir textos através daqueles que as letras conheciam e lhes ditava dando-lhes lugar no papel, colando-as com mais um pouco de nova tinta. 

Com o passar do tempo, as letras sentiram um profundo vazio. Por mais que se reutilizassem, parecia faltar uma evolução e uma certa magia que as tornasse mais reais, o conhecimento que tinham não evoluía, precisavam de novos saberes. Precisavam da mão que escreve e do calor do coração que a aquecia. 

Passadas décadas de isolamento, as letras foram entristecendo pela falta da mão do homem e dos livros de onde estas caíram. Os pergaminhos e a tinta tinham terminado há muito tempo com a deterioração e uso. As próprias letras estavam a desvanecer-se com o tempo. As penas de escrever sentiam-se secas e gastas. Então a cidade foi escurecendo tomada por uma solidão e tristeza. 

Mas, em certas letras jorrava a tinta de livros heróicos, noutras corria tinta poética e noutras a tinta de sonhadores, todas elas enchiam o mundo de aventura e perseverança. Uma letra, em especial, viu na aurora de um sol acabado de nascer, o caminho que as levaria a resolver os seus problemas. Caminhou determinado em direção daquele caminho na certeza de mudar o rumo da sua vida. Parou. Olhou para trás. Olhou o castelo que conhecia há tantos anos e olhou tantas letras a quem já dera a mão.

- Onde vais “N”? – perguntou o “c” aflito. 

- Sinto falta de compor novas histórias “c pequeno”, sinto falta de sentir o que sou. Sinto falta da mão quente que abraça o lápis e que me escreve - respondeu o “N” esmorecido.

- Faz-me falta dar vida aos sonhos, aos desejos - respondeu a “pena branca” que escreve, sentindo-se tão gasta.

- Mas não há mais nada para ver – dizia o “c pequeno” na memória consumida, de que, o mundo era apenas um castelo cheio de letras e de iguais e velhas histórias.

- As letras mais usadas falam de um mundo cheio de coisas que mudam todos os dias - contava o R num sussurro como se revelasse a direção de um tesouro -  Os humanos têm muito para ensinar. O mundo precisa de conhecimento novo para que as novas letras sejam mais perfeitas, fazendo nascer também, mais perfeitos humanos. E estes precisam de nós para guardar esse conhecimento. Nós somos as últimas letras no mundo inteiro.

- Eu tenho medo de conhecer novas coisas – desabafou a “pena de pavão” que escreve, e que só conhecia o que aquelas letras lhe ensinaram - Eu gostava de escrever um livro inteiro com letras desenhadas de origem por mim. 

- Gostas de escrever “pena branca”?– perguntou o “N” com um brilho no seu contorno.

- Sabes “N” – discursou gesticulando em evocação a “pena branca” no entusiasmo que as penas sentiam, e num instante, todas as letras juntaram-se a ouvir - escrever é….sentir sem limites. É sonhar sem pecado. É viajar pelo impossível. É dotar a simples mão da capacidade de criar novos mundos. É aceitar o estranho, o novo, o imaginável em bruto. Escrever é a manifestação de carícias do coração, é a filosofia do pensamento, é a alma a contar segredos.

- Escrever é conceber vida aos sentimentos ocultos que não têm linguagem, desenham-se em símbolos profundos de simbolismo e conceito – falou a “pena de pavão” caminhando em direção à “pena branca” - não importa a escultura da palavra, nem tão pouco, o tamanho dos pedaços de sentimento. É a força do sentir ao ler, é a emoção de viver e a saudade que esta deixa na memória. 

- Disse-me em tempos uma mão que escreve – relatou o “R” saudoso - que quando fechada com um lápis ou qualquer caneta, sentia o abrigo do encantamento da inspiração que exercia magia sobre os seus dedos. O carvão ou a tinta dançavam nas páginas brancas marcando-as de prenúncios e desabafos, de ideias e de coisas a recordar. Para a “mão que escreve”, nós somos símbolos, que de mão dada, transformamo-nos em histórias desenhadas e unidas em palavras.

O “L” entusiasmado e nostálgico juntou-se aos parceiros e relatou: - as palavras são amantes de carícias e desejos. Os olhos dos leitores viajam enfeitiçados pelas linhas que nos contornam, namoram os sentimentos revelados no rasto das frases que compomos, riem e choram o nosso romance, o terror, o suspense.

- A “mão do coração” embala o sentimento e escreve crente da sua língua, sendo fiel ao princípio e visão da sua maturidade – continuou o “R” - Não se estende equívoca à vontade dos olhares alheios que as querem distorcer com outras esculturas como acontece com certas mãos. A “mão que escreve” conforme dita o coração é fiel à sua inspiração e vontade, cresce à gratificação de quem por ler, alegra e evolui para as fazer crescer.

- A vontade de escrever são cócegas da inspiração, é evocação de bom prazer e de meditação - dizia alegre a “pena de pavão”- não deixa decair o sentimento, embala o encorajamento de desenhar mais alto. A obra bem acolhida, sendo bem lida e interpretada de verdade, conhece a filosofia da visão de uma consciência maior, não deixa alegria nem dor, deixa vontade de melhor conhecer. E eu, quero muito conhecer a “mão que escreve”.

- A mão que embala as palavras, não é escrava nem possuidora, é mensageira travessa de um sentimento maior, da dita força inspiradora – sorriu o “S” - é a voz dos sentidos, descreve o que sente, o que vê, o que cheira, o que ouve, o que lhe mata, o que lhe faz viver, o que a motiva e entristece. A “mão do coração” são personagens lembradas da memória, são personagens vivas de histórias sonhadas, são retóricas de pensamentos, são relatos de momentos.

O “N” sorriu com tudo o que foi dito e caminhou vaidosa na aurora que os ouvia - a escrita da mão nem sempre é perfeita. A perfeição da escrita também depende da “mão que lê”. Ela é lida e vivida conforme quem a acolhe. Não é amada por todos nem valorizada por alguns, mas merece o respeito e encorajamento da mão conseguir desenhar melhor. O mais importante a valorizar é o sentimento que as letras transportam. Escrever bem qualquer “mão que escreve” consegue, depois de aprender a matemática das letras. Mas escrever com a “mão do coração”, não se aprende, sente-se, ouve-se e partilha-se. São letras dessa mão que ficam na memória do coração do leitor. Sabe a doce, não precisa ser de perfeito cálculo, precisa apenas de ser doce. A melhor guloseima é encontrar a letra com a receita completa.

- Escrever é a agradável surpresa de uma inspiração que é breve e repentina – sussurrou o “B” enquanto caminhava amparando o “A” - enaltece e dá força a uma outra voz, a voz dos dedos que a “mão do coração” embala e através dela, cria a arte de viver outros mundos fora da sua própria mão. É fazer brilhar um céu cheio de estrelas no olhar dos leitores, alimentar um coração que cresce até ocupar o corpo inteiro, é elevar o pensamento à alma que se sente.

- Escrever, meus amigos, é a arte de desenhar sentimentos – concluiu o “A” satisfeito.

Todas as letras pareceram sentir um formigueiro especial, a adrenalina suficiente para se convencerem que precisariam de novas páginas, novas mãos para usarem as penas, os lápis e canetas. O humano é filho da inspiração e através dela, o mundo muda, renova, transforma-se todos os dias, por isso, através desse caminho, novas letras nascem e crescem nos pergaminhos que as guardam deliciosamente para passar de gerações em gerações. Um vice-versa contínuo e dependente.

As letras precisavam de magia e só havia uma forma de transformarem o mundo num lugar onde a letra e o homem se tornassem num só, parceiros e única receita para um mundo que evolui positivamente de forma ininterrupta e consistente.

As letras seguiram-se umas às outras, acompanhadas pelas penas de escrever através do caminho que a aurora marcou que foi subindo, subindo, elevando as letras até um raio de sol que as levou a percorrer uma nova viagem. 

O céu era partilhado pela mesma saudade e ensinamento. O ser humano sem letras e as letras sem o ser humano, perceberam após décadas de solidão, que separados não poderão sentir-se verdadeiramente vivos. São inúteis no mundo e para o tempo. 

Chegadas à povoação, um conjunto de letras abraçou cada ser humano que encontrou, até não sobrar mão. As penas de escrever encontraram novas tintas e conheceram finalmente a “mão que escreve”. 

A partir desse dia, o homem tornou-se mais inteligente, perspicaz, capaz de viver são e pleno num mundo cheio de encantos e novos ensinamentos. As letras, sentiram-se mais felizes, úteis e cresceram rápidas e sábias.

Muitas letras encontraram-se em novos pergaminhos, outras conheceram-se em salas cheias de livros. A história da cidade das letras ficou para sempre guardada no sangue do ser humano e na tinta das letras, para que, nenhum se esqueça que a sua importância e magnificência, depende da magia da “mão que escreve”. Não basta nascer-se letra, é importante que ela saiba encantar o coração dos homens. Só assim, a mão saberá igualmente escrever bonitas e maravilhosas letras.

As crianças voltaram a ler, o homem continuou a escrever e o velho morreu com o livro na cabeceira.

O corvo negro viajou até encontrar descendentes da “mão que escreve”. Encontrou, pelo caminho, penas à espera de mãos ardentes de imaginação. Brilhavam nas montras, novas e elegantes à espera de um encontro com a mão. 

Continuou a viagem até uma terra chamada Massarelos, terra de gente com história, recriada no Fiacha com os lugares mais especiais para aquela que ansiava encontrar. Encontrou a “mão que escreve” a desenhar sentimentos, uma misteriosa aventura no Halloween. As letras dançaram no papel em branco enamorado pela voz da escrita, em pleno jardim do Palácio de Cristal. Fazia-se acompanhar pelo enigmático e especial gato, o Bam. O corvo negro sentiu na dança das letras, o crescimento da mão e da enaltecida inspiração precoce, no prenúncio de desenhos perfeitos. Sorriu ao corvo negro no agrado do encontro e logo lhe ofereceu um livro repleto de letras desenhadas por si. Na capa com o seu nome, uma letra chamou a atenção do corvo, o “N”.

- Obrigado Nádia, letras escritas pela mão do coração só poderão ser lidas pelo próprio.

O bater de asas foi um multiplicar de felicidade. No salão todos os presentes felicitaram a nova chegada e a lenda foi citada de novo pela mão que lê. O castelo da cidade das letras é hoje um castelo onde o homem e as letras trabalham em conjunto. Lá dentro, um salão mágico acolhe toda a arte que a mão é capaz. O castelo do Corvo Negro.

domingo, 20 de abril de 2014

Parabens Sport Lisboa e Benfica



Bem o corvo alem de adorar livros tem outra paixão e que é das poucas coisas que por vezes o torna irracional, reconheço, embora não seja daqueles fanaticos que não saiba reconhecer mérito dos adversários, falo claro de futebol e do clube do meu coração o SLB.

Tendo pouco mais de um ano de blog é com satisfação que vejo o Benfica ser campeão e com todo o mérito, fruto de um trabalho bem realizado e como costumo dizer mais cedo ou mais tarde o bom trabalho dará resultados aqui está a prova, concordo que podiamos ter muitos mais titulos mas o clube crescer e chegar a este nível é fruto de um gande trabalho e que deixa o clube no bom caminho, embora como seja obvio são vários os jogadores que devem sair, mas não me preocupa minimamente.

Sim podemos dizer que fruto das circunstâncias do campeonato o SLB acabou por beneficiar da lesão de um dos seus melhores goleadores de todos os tempos, Cardozo e passou a apostar mais em Rodrigo e meu deus como se tornou diferente o nosso esquema tático e forma de jogar.

Mas não é tempo para irmos aos pormenores, podemos faze-lo desde que de forma civilizada, apenas dizer que o SLB é um justo vencedor deste campeonato, por mérito proprio repito, não sei que mais conquistas podem vir a ser conquistadas esta época, mas penso que o principal objetivo está concretizado e faço votos para que este treinador continue por muitos e bons anos, pois foi graças a ele que voltamos a ser um clube grande e com capacidade de lutar pelo titulo, sempre desde que chegou ao clube. O que mais me custou foi ver tantos mas tantos benfiquistas contra este treinador e nesse capitulo dou total mérito ao nosso presidente por não ter cedido a pressões e apostar nele, esteve bem sem duvida.

Palavra especial para o SCP, fez algo que nunca pensei vir a ser possivel, mas se foi fruto de apostarem em jovens nacionais e vindos das suas escolas então tem a minha admiração (atenção que na verdade só o fizeram porque a isso foram obrigados, mas não quero estar a tirar mérito) faz falta ao futebol Português um SCP forte e com capacidade de lutar pelo titulo embora ache que os verdadeiros problemas vão surgir, pois váo ter que aumentar salarios e nem sei se tem capacidade para segurar o seu grande pulmão, Willian Carvalho que na verdade nem pertence a 100% ao clube.

Quanto ao FCP um clube sempre forte e que à mais tempo se encontra "profissionalizado" logo com capacidade para comprar os melhores jogadores, penso que terão que fazer uma reflexão profunda, alias penso que o que veio dar nova alma ao clube foi o Mourinho, mas acho que não terão um caminho fácil pela frente, mas pronto é importante para o futebol português termos um Porto forte sem duvida...vendam lá o Fernando que sempre quero ver como vai ser :D

Para finalizar tenho que dar os meus parabéns ao Estoril (clube da amiga Caminhante) mais uma grande época mesmo com a sangria de bons jogadores que sairão na época passada, só não vê que há ali muita qualidade e bom trabalho quem não quer, ganhassem eles jogos em casa como ganham fora e podiam ir mais longe.

Estejam á vontade para comentar, discurdar, concordar, mas peço com desportivismo e com argumentos válidos, pois este é um tema propicio a flame-wars, algo que não vale a pena de todo ;)

GRANDE BENFICA

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Tigana - A Voz da Vingança de Guy Gavriel Kay


Sinopse:

Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, Tigana é uma terra que clama por vingança e justiça.


O príncipe Alessan e os seus companheiros puseram em marcha um plano perigoso para unir a Península de Palma contra os reis despóticos Brandin de Ygrath e Alberico de Barbadior, numa tentativa de recuperar Tigana, a sua terra natal amaldiçoada.

Brandin é um rei maquiavélico e arrogante, mas encontrou em Dianora alguém à sua altura e está cativo da sua beleza e charme. Alberico está cada vez mais consumido pela ambição, cego a todas as ciladas em seu redor.

Entretanto, o nosso grupo de heróis viaja pela Península, em busca de alianças e trunfos decisivos que podem mudar a maré da batalha a seu favor. Alessan está mais moralmente dividido que nunca, Devin já não é o rapaz ingénuo que era, Catriana apenas deseja redenção e Baerd descobre uma nova magia na Península. Conseguirá Tigana vingar a memória dos seus mortos? Ninguém consegue prever o fim nem as perdas que irão sofrer. Sacrifícios serão feitos, segredos antigos serão revelados e, para uns vencerem, outros terão forçosamente de tombar.

Opinião:

Nada como repetir o que comentei no primeiro volume:

Quanto mais livros leio deste autor, mais se confirma o porquê de estar no topo dos meus favoritos e mesmo que não o conhecesse, bastava-me ler este livro para ver que está acima da média de muito do que se publica actualmente no nosso país. 
Uma das coisas que mais gosto na obra de Guy Gavriel Kay é que os seus livros se baseiam em factos históricos, fruto de um resultado de muita investigação feita pelo autor, como por exemplo aconteceu no livro Os Leões de Al Rassan (ainda o meu preferido), onde a base do enredo se centra na ocupação Árabe na Península Ibérica.

Neste livro o universo é passado numa espécie de Veneza Renascentista, onde é acrescentado Politica, Religião e Magia. Temos ainda de um lado Vilões e do outro, claro, os nossos heróis, tudo isto parece cliché, mas o escritor tem muito mais para oferecer.

Outras das coisas que mais gosto no escritor são as personagens, quer as principais que são bem construídas, marcantes e complexas (quem não se recorda ainda de Rodrigo e Ammar) quer as secundárias que são bem aprofundadas e cativantes. A utilização de elementos fantásticos é bem feita, funcionando como uma mais valia.

Não querendo estar a revelar muito mais do que a sinopse já revela, a história é-nos apresentada pelos olhos de um jovem bardo, Davin D'Asoli, que ao presenciar um acontecimento, este muda a sua vida por completo. É das personagens mais cativantes do livro e que nos dá a conhecer o ponto de vista dos nossos amigos revolucionários. Por outro lado, vamos conhecendo o nosso vilão através de Dianora uma personagem que foi, em jovem, capturada pelos mercenários do Rei Brandim tornando-se sua amante, é igualmente uma grande personagem, cheia de segredos e que mostra que as mulheres terão um papel bastante relevante neste universo.

Depois de no primeiro livro, o ritmo não ter sido elevado, o que considero normal, uma vez que o universo foi-nos apresentado, dando-nos a conhecer as personagens que são devidamente aprofundadas, neste, já temos mais ação e mesmo com um fim previsível, acabou por ser um final bem conseguido, provando o escritor, mais uma vez, que basta apenas um livro para se escrever uma boa história.

Não sendo um livro de todo extraordinário, nesse aspecto acho os Leões de Al-Rassan muito mais livro pois praticamente não tem elementos fantásticos, ainda assim é um livro muito bom que recomendo sem reservas. Nada justificao ter sido dividido, mesmo que isso possa ser do interesse da editora, em nada ajuda quem lê, perdemos o fio à meada quando partimos para a leitura deste volume, demoramos a enquadrar bem certas personagens que são secundárias mas importantes. O livro não apresenta assim tantas páginas e por isso acredito que não esteja a vender muito bem, pois as pessoas acabam por esperar por um futuro pack, algo já habitual!

Para quem goste de um bom livro de fantasia, é sem duvida um livro de leitura obrigatória

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ficção Científica - Mitos, Preconceitos e Estereótipos

"Assim que se fala em FC a malta parece que vê o diabo" - Fiacha o Corvo Negro


A frase pertence ao meu bom amigo Fiacha e resume na perfeição o que acontece quando os leitores encontram nas capas e contra-capas dos livros a mais leve alusão ao facto do livro que tem em mãos pertencer a essa ostracizada categoria literária que é a Ficção Científica (FC). Muito deste desprezo e repudio devem a sua razão de ser a muito mitos que se foram propagando ao longo do tempo e que ganharam estatuto de verdades incontestáveis, cristalizadas num estereótipo, que pouco terá em comum com a realidade. Convém portanto desmistificar alguns destes mitos antes de começar a tentar converter leitores à causa da FC.

Comecemos por tirar o óbvio do caminho. Tal como em todos os outros géneros literários existe FC excelente, boa, suficiente e má. Quero deixar este ponto bem assente para não ser depois acusado de parcialidade. Reconheço que muitos textos publicados são maus, mesmo muito maus, mas neste aspecto a FC é igual a todos os outros géneros literários. Citando um autor de FC, Theodore Sturgeon e mais especificamente a sua lei de Sturgeon: "90% de qualquer coisa é lixo" e na literatura esta lei é bem verdade como todos nós já tivemos certamente oportunidade de provar. Passemos então à desmistificação da FC.

A FC, a boa FC entenda-se, é composta de temáticas de conteúdo maduro. Para quem nunca leu FC isto poderá ser um choque, mas esta é a verdade. A FC vive de temas para os quais é preciso ter já uma boa bagagem, seja de vivências pessoais seja literária. É também uma literatura que além de “obrigar” a saber obriga a pensar. Obriga a pensar porque fala sobre realidades que ainda estão para chegar, ou sobre realidades que nunca chegaram, mas que são um aviso sobre a nossa e isto causa estranheza a muitos leitores que não conseguem lidar com tudo o que vai para além do que os seus olhos vêem. 

Provavelmente o maior mito da FC é que ela se resume a “naves espaciais e pistolas laser”. Quem nunca leu acha que sabe sobre o trata a FC, mas a verdade é que ela é grande, enorme nos temas que trata, tão vasta que muitos de nós que lemos FC de modo regular ainda não conseguimos ler todo o que ela tem para oferecer. Sim na paginas de muitos livros de FC vão encontrar “naves espaciais e pistolas laser”, mas também historias de amor, policiais, história alternativa, etc . Atrevo-me a dizer que a FC não é um género, mas um trans-género pois agrega outros. Mas mais do que ser um género ou trans-género ou outra coisa a FC é fonte de grandes historias.  

Falar dos mitos da FC é falar dos equívocos que muito leitores fazem concretamente quando comparam o incomparável e o cinema tem sido provavelmente uma das principais fontes deste equívoco. A ligação entre a literatura e o grande ecrã é já bem antiga e remonta ao primórdios do próprio cinema. O cinema é algo que é mais imediato e assim muitos leitores acabam por tomar o que vêem nos ecrãs com o que poderão encontrar na literatura, ora nada mais errado. As produções cinematográficas, principalmente nos dias que correm, servem para “encher os olhos” passando assim ao lado do cerne dos temas das obras que lhes servem de base. Raro é o filme que consegue fazer a conjugação da parte visual com as ideias do livro que adapta. E os que o fazem raramente fazem parte dos tops. O espectador/possível leitor acaba por assumir que os livros são igualmente vazios de conteúdo e desistem antes de sequer começar.
 
Muitos leitores já terão lido pelo menos um livro de FC, mas o preconceito das editoras e mesmo de alguns autores, em manchar as obras com esse rótulo faz com que sejam “desviados” para outros géneros. Dobram as regras, ignoram os factos e chegam mesmo a inventar novos termos para designar esses livros, mesmo que ninguém saiba o que são. Vale tudo menos admitir que se está na presença de um livro de FC. E assim se espalha o mito de que a FC não vende. Não vende devido a esta criatividade nos rótulos, exemplos não faltam. Não fosse este preconceito e talvez se descobrisse que afinal a FC vende e vende muito. Não fosse este preconceito e facilmente se perceberia que muitos do grandes autores e obras que o mundo conhece são afinal FC. Os rótulos são aqui uma arma de manipulação. Nos mais de dez anos em que já estou envolvido no mundo da literatura os livros juvenis passaram a ser rotulados de "jovens adultos" e os romances de fantasia mais dedicados ao público feminino passaram a ser designados como "romances paranormais". Repare-se que o conteúdo não mudou, os temas também não e os autores muito menos simplesmente mudou o rótulo para cativar novos públicos. Em vez de se educar o publico dá-se lhe algo de "novo" e como diz o ditado popular "com papas e bolos se enganam os tolos" e este publico, atrevo-me a dizer, gosta de ser enganado.

A FC é (talvez) o género literário mais mal entendido. Este mal entendido parte dos mitos atrás descritos  seja pela mais pura ignorância, ignorância esta que é transversal a todos, sejam eles o mais bronco dos leitores ao mais culto dos editores, seja porque é mais conveniente e fácil. 

O problema da FC é o preconceito, é tomar a parte pelo todo, é o mito, é comparar o incomparável. O leitor comum assume que sabe o que é a FC baseado num estereótipo que apenas representa um pequena parte e as vezes nem isso. Não existem formulas mágicas para mudar esta situação, apenas com o esforço de todos se poderá alterar. O principal problema será o leitor ultrapassar este preconceito, mas para o processo estar completo à que encontrar o livro certo. Costumo dizer as pessoas que dizem não gostar de ler que ainda não encontraram foi o livro certo que os faça finalmente ler, e acredito que aqui o caso é o mesmo, com a vantagem que já somos todos leitores. Para a semana conto trazer aqui um lista de livros que poderão ser a vossa porta de entrada na FC. Até lá mantenham uma mente aberta.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os Olhos de Allan Poe de Louis Bayard




Sinopse:

Considerado um dos principais autores do ano pela imprensa. Nomeado para os galardões Edgar e Dagger. 

Pela mão do muito aclamado pela crítica Louis Bayard, chega-nos uma engenhosa história de assassínio e vingança, protagonizada por um jovem cadete chamado Edgar Allan Poe.Corre o ano de 1830. Na Academia de West Point, a tranquilidade de um final de tarde de Outubro é perturbada pela descoberta do corpo de um jovem cadete enforcado junto ao recinto da formatura. Não é a primeira vez que se verifica um aparente suicídio num regime ríspido como o de West Point, mas, na manhã seguinte, constata-se um abominável acto ainda mais grave. Alguém assaltou o quarto onde o cadáver repousava e levou o coração. Desesperada para evitar publicidade negativa, a academia contrata os serviços de Augustus Landor, ex-detective de renome. Viúvo, e atormentado no seu isolamento, Landor decide aceitar o caso. Nos interrogatórios iniciais, descobre um caprichoso e curioso jovem cadete com propensão para a bebida e com um passado sombrio. O nome desse cadete? Edgar Allan Poe. Impressionado pelos astutos poderes de observação de Poe, Landor está convencido de que o poeta lhe pode ser útil - caso consiga permanecer sóbrio o tempo suficiente para colocar em acção os seus perspicazes poderes de raciocínio. Trabalhando em estrita colaboração, os dois homens desenvolvem um relacionamento surpreendentemente profundo à medida que a investigação os conduz a um oculto mundo de sociedades secretas, rituais de sacrifício e mais cadáveres. Porém, os macabros homicídios e o passado secreto de Landor ameaçam afastar os dois e terminar com a sua recente amizade.

Opinião:

Mais um grande livro editado pela SDE, ao melhor nível dos policiais da mestre Agatha Cristie, onde o suspense é uma constante e com momentos verdadeiramente perturbadores.

Se temos um inicio que nos deixa verdadeiramente presos ao enredo, algo que a sinopse já revela, passamos depois por uma fase de investigação, onde estamos constantemente a tentar adivinhar quem estará por trás da trama toda e depois temos um final que nos deixa completamente surpreendidos, não posso estar aqui a comentar muito mais que isto para não efetuar grandes spoilers, mas posso adiantar que o livro é concluído de forma muito boa sem a menor duvida.

Um enredo muito bem desenvolvido, muito mistério, magia negra, personagens complexas e bem desenvolvidas, em especial as duas principais O detective Landor e o Cadete Allan Poe e uma escrita que embora com momentos algo descritivos não deixa de ser cativante.

Se já tinha adorado conhecer o escritor Charles Dickens na minha leitura anterior, embora neste livro Edgar Allan Poe não foi tão aprofundado,  não deixou de ser um prazer conhecer um pouco melhor o homem que por acaso ainda nunca li nenhum livro seu, mas que já aqui mostra ser um personagem bem complexo e inteligente.

Aqui temos mais um bom livro publicado pela Editora, que nem pertence à coleção BANG e que está com 50% de desconto conforme podem ver aqui, mais que recomendado.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A ilustração

Olá para todos vós,

O Fiacha convidou-me a escrever um texto para o seu blogue e eu concordei, muito feliz com tal possibilidade, pois é sempre bom poder partilhar algo nosso com outras pessoas, saber opiniões e comunicar, ainda por cima no blogue dele. Agradeço ao Fiacha por ter-me dado esta oportunidade =)

Decidi fazer este texto sobre a ilustração de livros, pois é um tema que me é bastante querido.
Gosto muito de desenho. É uma das artes plásticas que mais me agrada, pois permite fixar determinada ideia e/ou imagem mental, ou física, num certo material, de modo a poder voltar a essa ideia ou imagem num outro momento, num futuro próximo ou distante. 

É por este mesmo motivo que a ilustração é tão importante nos livros. É discutível o facto de os livros ficarem mais interessantes com ou sem ilustrações, dependo do gosto de cada um e do género de livro. No entanto, nos livros infantis, é fundamental, uma vez que, ao fixar as ideias presentes na história/escrita, permite às crianças uma maior compreensão da leitura, sendo esta realizada por elas próprias ou por outras pessoas. Com ilustrações, a compreensão da história torna-se mais acessível, bem como certas características das personagens e do espaço/tempo, permitindo às crianças um maior acesso ao conteúdo e facilitando a idealização mental da história e seus elementos. 

Depois, nos livros juvenis, também temos vários exemplos de ilustrações que acompanham a história, como é o caso dos livros de Uma Aventura, Os Cinco e outros que por aí andam. Tenho notado, principalmente neste género de literatura, uma crescente aposta na ilustração, seja ela no interior ou no exterior do livro. Existem coleções que são autênticas belezas de arte, como é o caso dos livros das Crónicas de Spiderwick (Holly Black e Tony DiTerlizzi), os de Ulysses Moore, os da trilogia do Leviatã (Scott Westerfield), entre outros. Nos livros juvenis, a ilustração deixa de ser tanto um facilitador da assimilação e compreensão da história e passa a ser algo mais decorativo, algo que, além de ter um certo ponto de ancoragem para certos detalhes e características, é também um fator de equilíbrio entre a escrita e a imagem de modo a dar um ar mais “leve” à leitura. 

Nos livros adultos, deixa-se a ilustração um pouco de lado. Apesar de gostar muito de desenho e de ver a ilustração como uma mais-valia para a literatura, penso que a literatura adulta não pede ilustração, pelo menos em grande quantidade… talvez num ou noutro aspeto, para questões de embelezamento. No entanto, não penso que torne os livros mais infantis. Não tornam. O porquê desta minha opinião relaciona-se com o gostar de imaginar as personagens e o espaço por mim mesma, fazer a minha ideia. E quando existe ilustração, essa ideia própria fica sempre influenciada pela imagem. Quantas vezes, isso não me acontece quando leio livros com adaptações cinematográficas? Aconteceu-me isso com os livros d’ O Senhor dos Anéis. E acontece com muitos outros, por mais que tente separar a imagem do conteúdo. Um fator muito importante é a presença de mapas nos livros em que tal se justifica. São ilustrações úteis, pois permite uma maior visualização a nível de distâncias entre locais presentes nas histórias.

Quem acha que uma ilustração bonita não engrandece o livro? Pode haver quem ache o contrário, claro. Mas eu gosto de ver bonitas ilustrações. Sejam elas a cores ou a preto e branco, sejam de que género de desenho forem. A ilustração torna o livro mais belo, mais personalizado, no meu entender. Dão beleza à obra escrita. Talvez seja por isso que sinto um grande impulso para as capas dos livros que tem mais pormenores ilustrativos. A ilustração da capa não está relacionada com a qualidade ou interesse da história em si. Já fui “enganada” pela beleza da capa e sei que a beleza interior conta muito mais do que a exterior, em todos os casos, inclusive na literatura. No entanto, se pudesse ficar só com a capa dos livros que não gosto, mas que são bonitas, ficava. Com a internet isso já é possível, se não der para tirar fotografias às capas, o que é sempre difícil nas lojas se houver funcionários por perto. 

Ilustrar livros é um sonho, como já devem ter compreendido através das minhas palavras. Daí ter decidido fazer este texto. É um tema que está no meu coração. Muitas vezes dou por mim a ilustrar os livros que leio (não nos livros, mas em folhas!). Daí a presença de algumas ilustrações minhas nos meus “canais da internet”: facebook, blogue, deviantArt. Gosto muito de imaginar as personagens, como elas são, e depois desenhá-las. É como dar vida às histórias que tanto gosto. E claro, inventar as minhas próprias personagens e histórias. 

E como não podia deixar de ser, acompanho este texto com algumas ilustrações, não apenas minhas, como de alguns artistas que gosto muito. 

Alguns trabalhos de:

 Benjamin Lacombe 

Obra: A Mecânica do Coração, Mathias Malzieu
Holly Black 

Obra: As Crónicas de Spiderwick, Holly Black e Tony DiTerlizzi

John Howe

 Obra/Mundo: O Silmarillion, Tolkien
 
Iacopo Bruno e Laura Zuccotti

 Obra: Ulysses Moore saga, Pierdomenico Baccalario

Keith Thompson

Obra: Trilogia Leviatã, Scott Westerfield


Algumas ilustrações minhas:

 Obra: A Corte do Ar, Stephen Hunt

  Obra: 1ª trilogia do Assassino, Robin Hobb
 Obra: Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K. Rowling

Obra: O Silmarllion, Tolkien

 Obra: A Princesa Mecânica, Cassandra Clare

 Obra: As Crónicas de Gelo e Fogo, G. R.R. Martin

 Obra: O Nome do Vento, Patrick Rothfuss

 Obra: Trilogia dos Jogos da Fome, Suzanne Collins

 Obra: Harry Potter e os Talismãs da Morte, J.K. Rowling

Obra: As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch

Obra: 2ª trilogia do Assassino, Robin Hobb

Esta mensagem também se encontra no meu blogue:


Obrigada Fiacha e a todos vós =)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho do Baile da Primavera

Mais um pergaminho, mais uma visita a Fiacha ....

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho do Baile da Primavera


Este é um pergaminho de saudação. O tempo não guarda momentos vivos, mantêm-nos em forma de memórias para lembrar e reviver a sua importância. O pergaminho abriu. Revelou-se em branco, sem marcas de escrita aparentes. A história a contar, não ficou guardada no passado, mantém-se num presente sentido e desejado, por isso, o pergaminho é contado em simultâneo com a sua escrita por uma natureza viva. A magia existe mesmo. No cerne da crença da sua existência é a imaginação que prova a sua veracidade. Só é preciso deixarem-se levar pela sua presença e logo vos transporta no seu regaço. O pergaminho foi estendido ao vento que o amparou e uma viagem o leitor desta história encontrou. 

As asas bateram decididas no céu que escurecia. O Corvo Negro voava veloz para chegar a horas do evento marcante no Fiacha. O bosque foi iluminado pela Lua que se despedia e revelava a direcção do lugar secreto. É certo que chegava bem cedo, mas a preciosidade do evento assim o exigiu. 

Chegara ao grande jardim que repousava no silêncio e no mistério da noite. Aterrou no vasto manto de floração, onde, brotavam flores recém-nascidas da transição da época sazonal. Prolongavam-se numa diagonal decorativa que permitia uma passagem no seu contorno, de piso liso e amanhado para caminhar-se sem ferir a vida nele existente. O jardim terminava num namoro pegado com um estreito e pouco profundo rio, onde nele, flutuavam cisnes, deslizavam patos, corriam carpas e tantos outros pequenos peixes, numa histeria de liberdade.

O Corvo Negro caminhou pela ponte que se desdobrava em forma de sorriso voltado para o céu, unindo os dois lados do jardim. Através dela, vislumbrou em pleno crepúsculo, o manto de cor que enfeitava as duas partes do rio até perder-se no horizonte do bosque.

Caminhando pelo estreito trilho do jardim, chegou a um largo, contornado por árvores altas, adornadas por pequenas e coloridas flores, que começavam a rebentar com o fruto nos ramos estendidos à estação que se aguardava. Pareciam competir na sua beleza e abundância. 

O largo desenhava a forma de uma roda, simbolizando o ciclo da natureza e das suas estações. Aqui e ali repousavam junto às árvores, aglomerados de pedras em esculturas de espíritos da natureza, guardando e mantendo o respeito e lealdade pela mãe da vida, que abraça e faz crescer todos os filhos no seu habitat. Estas esculturas formavam amontoados de vida composta, com a vegetação a revestir a sua dureza numa amistosa companhia, naquele lugar especial onde a energia sentida era soberba e respeitosa. Sentiu-se pequeno perante tamanha riqueza no mundo, mas ao mesmo tempo, grande de importância sentindo-se parte dela. 

Voou directo a uma escultura sentada num manto de musgo e líquenes que começava a despedir-se daquela estação. Vislumbrou a forma feminina, ao lado de uma fonte que corria serena e luzia, as mãos a jorrar água sobre as plantas que lhe adoravam abundância. O seu rosto amigável e profundo numa delicadeza gentil, alegrou o corvo negro que se emocionou da beleza, sentindo a sua presença viva. 

Perto das outras esculturas ouvia-se uma melodia de vozes. Um som ecoando leve, muito leve por todo o espaço, baixinho como se contasse segredos. Reconheceu a canção da vida que se revelou ao corvo em saudação de boa alma.

Para comemorar a nova estação, da ponte, viu chegar os habitantes das redondezas. Homens, mulheres e crianças e outros seres não humanos, presenças encantadas da floresta, elfos, dríades, sátiros, ents, sereias com pernas enfeitiçadas, faunos, centauros, anões, mariposas, entre tantos outros, provando que o mundo é magnificente, um lugar partilhado e habitado por diversificados seres vivos.

De mansinho, entrou uma mulher encapuzada com um longo manto azul. Sentara-se ao lado de um espírito da natureza, numa aparente solidão, mas que, dentro dela, corriam mundos imaginários brilhantemente desenhados em pautas musicais. O Corvo Negro reconheceu de imediato quando a viu repousar a viola sobre o seu colo e tocar baixinho as notas do mundo que deambulava dentro dela. A vegetação regozijava de satisfação pela doçura da melodia. O rosto da mulher levantou-se encontrando o olhar do Corvo Negro ouvinte e atento e reconheceu-lhe as palavras:

- Saudações Cátia Valente – sorriu o Corvo segredando a ovação. Cátia agradeceu num sorriso resguardado e deixou os dedos namorar as cordas da sua viola. A melodia delicada tornou o ambiente agradável.

Numa entreajuda bem-vinda, entre todos se partilhou, o que cada um contribuiu para o evento. Na parte superior do largo, estendiam-se mesas largas e compridas recheadas de iguarias deixando uma fragrância saborosa no ar que, o corvo negro muito apreciava.

Sustentaram o jejum durante a noite restante, sentados em silêncio num repensar de outras estações, no meditar de ideias e pensamentos, a reunir os pedidos para o futuro. 

Quando o horizonte revelou uma fachada de nova cor, a luz da nova estação, todos se levantaram. Inspiraram em força de esperança e renovação. Saudaram o nascimento da estação durante um momento que soube a interminável, tal era a força do sentimento. Expiraram animados e esperançosos e o ritual da primavera começou.

Os seres femininos presentes separaram-se da multidão colocando-se num lado oposto aos seres masculinos. Estes acorreram ao bosque à procura das coroas de flores elaboradas pelos espíritos da natureza, oferecendo-as aos seres femininos, sobrepondo-as com respeito sobre os seus cabelos, símbolo de reconhecimento, fertilidade, vitalidade e descendência da mãe natureza. Os seres femininos dirigiram-se aos espíritos da floresta, cada um, ostentando um utensílio para a lavoura e colheita do alimento, caça e pesca, oferecendo e depositando-os nas mãos dos seres masculinos, dali abençoados em saúde e força.

Terminado o ritual e feitas as ofertas, juntaram-se numa só voz e entoaram à estação:

"Mãe de todas as coisas, nesta nova estação regenera e concede a tua bênção sobre os campos, sobre as sementes espalhadas na terra e do gado, purifica o sopro daqueles que estão vivos, amadurece os frutos que servem de alimento, conserva a saúde dos filhos, concede a floração farta, harmoniza o todo no teu regaço. Reconhecemos e agradecemos a tua força com este baile da primavera onde te saudamos e recebemos toda a tua grandeza e importância."

A aurora resplandecente explodiu no céu com a força dos luzidios pedidos para a nova estação e o baile da primavera começou.

Os pássaros foram os primeiros a soar a melodia. A voz de duas Sereias ergueu-se cantando alternadamente as estrofes improvisadas. A viola da Cátia Valente criou o ritmo, a harpa de um Elfo e a flauta do fauno embelezaram o simbolismo das palavras, os tambores dos anões aceleraram o ritmo da melodia, as palmas bateram o passo e dezenas de vozes entoaram acompanhando a dança que se criou no largo.


Eu sou o vento que espalha segredos
Eu sou o segredo que te dá força
Eu sou a colheita do teu fruto
Eu sou o fruto da tua colheita

Eu semeei o teu descendente
Eu ajudei alimentar a tua semente
Eu sou a chuva que cai no solo
Eu sou o solo que te recebe

Eu sou o calor que te aconchega
Eu sou a planta que te sorri
Eu sou o rio que te alimenta
Eu sou a terra que te abraça

Eu sou o abraço que te sustenta
Eu sou o mundo inteiro
Eu sou a nova esperança
Eu sou a força da perseverança

Eu sou a força da natureza
E por tudo, cantamos ao renascimento
e dançamos em harmonia,
saudamos em agradecimento
louvando a nova aurora,
que abençoa um novo dia.


Divertido batendo as asas ao ritmo da canção, Corvo Negro viu passar uma mulher borboleta, com uns olhos tão claros que mudavam constantemente, tal como, as cores das suas asas. Os seus cabelos longos e ondulados caíam como uma cascata de maravilhas. O sorriso harmonioso acolheu de imediato o encontro com o Corvo Negro. A mulher borboleta, detentora do poder de desenhar arco-íris nos céus, que acolhe e cura as almas por ele tocadas, usava sapatos de folha bicuda e andava por isso sempre a saltitar colorindo o baile com as suas cores que iam variando. 

- Felicitações Filipa Monteiro – cumprimentou o Corvo Negro numa vénia com asa dobrada ao peito, com a outra convidou-a a uma asa de dança.

Com uma brisa leve e fresca, surgiu luminosa, outra mulher, membro do Fiacha. Chegara vestida de viajante, com um manto tecido com bocados de história, simbolizando as inúmeras visitas que fez a diferentes civilizações, conhecendo diversificadas culturas e lugares de um mundo inteiro através de misteriosos portais existentes nos livros. Era conhecida como a aprendiz do tempo, que corre ao sabor do vento, contando aqui e ali as histórias que conheceu. Fazia-se acompanhar sempre pelo seu companheiro persa azul puro, que transporta no olhar uma aurora imortal. 

- Caro Corvo Negro sê bem-vindo ao baile da primavera – esboçou um sorriso e no seu olhar mostrou uma alma sábia.

- Obrigado Elsa Esteves – saudou numa outra vénia – estou a divertir-me imenso – respondia enquanto dançava com a Filipa Monteiro. 

Uma roda surgiu mais pequena no centro de uma outra. O Corvo Negro juntara ali os membros do Fiacha. Uma nova dança criou, de mãos dadas rodando, para lá e para cá, batendo o pé, de seguida levantando e tocando no do parceiro do lado, as gargalhadas brindando, a velocidade a aumentar, o passo a saltar, o corpo a rodar em harmonia e êxtase, depois rodou, três vezes rodou, três vezes se fechou o ciclo tocando as mãos no alto e não mais rodou, nem recuou, apenas permaneceram tocadas no centro, trocando no olhar e no sorriso a confirmação da esperança e a promessa de um trabalho mútuo para o renascimento da estação e semear riqueza para transportar para a estação seguinte.

O jejum terminou e o baile continuou até ser pleno dia. O Corvo Negro ligeiramente embriago pelo licor de morango oferecido pelos anões, saudou a nova estação levando a boa energia ali criada como semente para um bom futuro. Agitou as asas numa intensidade diferente levando consigo os membros e um pouco daquela essência. Foram recebidos no jardim do castelo, onde outro baile continuou alegre e comemorativo.

A Guardiã do Tempo 



terça-feira, 8 de abril de 2014

Coleção - A História de Portugal em Romances




Sendo um corvo adepto de Romance Histórico sempre a elogiar o que de bom a Editora publica neste genero literário, muito contente em saber desta iniciativa, vou acompanhar dentro do possivel :)

900 anos de histórias, contadas pelos melhores romancistas históricos

Venha descobrir a História de Portugal, não no tom pesado dos historiadores, mas pela pena inspirada dos grandes romancistas. Nove séculos e um mapa-mundo inteiro são a tela desta coleção, pintada de aventura e coragem, tragédia e desonra, mas sempre com uma alma bem maior do que um pequeno país poderia almejar.

A primeira coleção do género
Esta é uma coleção única devido à sua temática exclusiva: a História de Portugal. Com elevada qualidade literária e um design apelativo, pretende convidar o leitor ao colecionismo.

Grande potencial comercial
Queremos chegar ao maior número possível de leitores: do público masculino ao feminino, várias faixas etárias e nível de formação.

Orgulho da nossa História
Vivemos um período menos feliz da nossa História. A sociedade está deprimida e só ouvimos más notícias. Os portugueses precisam de recuperar o seu amor-próprio. A História de Portugal em Romances vai fazer isso mesmo: recordar-nos os momentos mais importantes da nossa História, bem como as figuras-chave que moldaram o nosso destino.

Uma coleção variada
Cobrindo quase nove séculos e com enredos que percorrem os cinco continentes, A História de Portugal em Romances é uma coleção com enredos, personagens e cenários muito variados. Das intrigas políticas às batalhas épicas, das revoluções aos heróis esquecidos, livro a livro vamos descobrir a nossa História.

Quem melhor do que um bom romancista para dar vida a uma História tão rica como a de Portugal? A História de Portugal em Romances é toda uma nova forma de descobrir a nossa História e o prazer da leitura.


Grande iniciativa sem duvida ;)

sábado, 5 de abril de 2014

O Mistério de Charles Dickens II de Dan Simmons



A figura misteriosa de Drood continua a atormentar a vida do escritor Charles Dickens. Muitos recusam-se a acreditar que tal homem exista, mas como explicar tudo o que mudou na vida de Dickens: a sua saúde, os seus hábitos, os perturbadores passeios pelo submundo negro de Londres? Quem será Drood? Um hipnotizador? Um criminoso? Ou o produto da imaginação fértil e insana do grande escritor? 

Baseado nos detalhes históricos da vida de Charles Dickens narrados por Wilkie Collins, outro grande escritor da época – bem como amigo, colaborador e também grande rival de Dickens –, Dan Simmons explora os mistérios em torno dos últimos anos da vida de Charles Dickens e poderá providenciar a chave para o seu último romance inacabado: O Mistério de Edwin Drood.

Opinião:

Definitivamente este é o meu escritor favorito da coleção BANG e espero que a Editora continue a incluir os seus livros no catálogo.

Quanto ao livro, e repetindo o que já tinha dito no anterior, pode-se considerar um livro algo descritivo, mas cuja descrição se torna necessária para que se faça o devido enquadramento da época em que ocorrem os acontecimentos. O que aqui se verifica é um exaustivo trabalho de pesquisa que é qualitativamente superior quando comparado ao de outros escritores, logo estamos na presença de um romance histórico fantástico.

Mas é, igualmente, um livro excelente pela forma como vem sendo construído, envolto em mistério, suspense, muito ópio, bem como pela forma como nos vai prendendo. As personagens são fantásticas, a começar pelo narrador da história, Wilkie Collins, escritor e amigo pessoal de Dickens, que nos descreve a vida final do seu amigo que sofre um acidente ferroviário. Um personagem inteligente, mas mesquinho, medroso, invejoso, algo receoso, mas que acaba por ser um personagem complexo e bem real.

Há um acontecimento que irá marcar a vida do nosso narrador e que nos irá causar uma sensação de estranheza até ao final do livro que acaba por ter um final muito bem conseguido. Mais não digo pois não quero estar a efetuar spoilers.

Confesso que não é o meu livro preferido deste autor, mas não se iludam, estamos na presença de um grande escritor, que bem merece ter muitos mais leitores e que nos apresenta outro livro fantástico. O seu trabalho é digno do melhor que se publica na coleção, e constitui mais uma pérola que a SDE publica. O escritor, pelo que sei, tem bons livros de FC, espero que a Editora o volte a publicar e por favor ousem ler este escritor pois é daqueles que não engana!

PS: Depois de conhecer um pouco melhor a vida de Charles Dickens, que ainda não tive o prazer de ler, sigo agora para outro livro onde o protagonista é outro escritor - Os Olhos de Allan Poe de Louis Bayard

"Uma viagem alucinante através de um labirinto tortuoso em que se revela um retrato sombrio dos minotauros que lá habitam. O génio artístico é o verdadeiro mistério da obra e à sua beira reside o abismo." -Guillermo Del Toro, Realizador de Hellboy

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Crónicas da Luísa Bernardino



Hoje é o corvo que faz o papel da Caminhante e vem trazer uma mensagem de alguem que faz parte da familia Fiacha.

Garanto que será a primeira e a última vez (nunca digas que desta água não beberei :D ) que leio uma mensagem de alguem que convido para publicar no blog  tal como vocês gosto de ser surpreendido, mais a mais com receio de escrever mal, grande lata :D.




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Olá a todos.

A pedido do amigo Fiacha venho partilhar com vocês a minha experiência de emigrante.

Faz agora precisamente dois anos que aqui cheguei. Posso afirmar convictamente que foi das melhores decisões que tomei. Para quem não sabe, eu estou no Canadá
Como sabem o Canadá é tão grande que tem mais do que um fuso horário. Portanto vou referir-me só à cidade onde me encontro, Edmonton.

Há uns anos atrás nem me passava pela cabeça deixar o meu país. Tanto eu como o meu marido trabalhávamos, tínhamos casa própria e, para ser sincera, não vivia mal. Naquela altura era assim que pensava. Até que tive o meu filho, e o nosso país infelizmente deixou de oferecer um futuro risonho para os jovens. Acho que a certa altura da nossa vida devemos ser um pouco ambiciosos. Ou pelo menos fazer por ter uma vida melhor e um futuro próspero. E assim decidimos vir para o Canadá, uma vez que tinha cá a minha irmã mais velha. No início foi bem difícil, é um começar de vida do zero.

Só com alguma roupa, uns trocos, sem telefone, carro e quase nada. Senti-me como se estivesse sem braços e pernas. Tive que tirar a carta de condução (a carta de condução internacional não me serviu de nada). Tive que aprender a andar de transportes públicos e metro. Tive que deixar o meu filho com estranhos sem ele saber dizer uma palavra em inglês. Posso dizer que o meu primeiro dia de trabalho foi angustiante. Pouco falava, preocupada com o meu filho e sem telefone para entrar em contacto com alguém. Mas uma coisa é certa nada se consegue sem sacrifico. E aos poucos a vida foi normalizando. Alguns meses depois tinha tudo o que precisava. Graças à ajuda da minha irmã, cunhado, sobrinha e excelentes amigos. O meu filho depressa começou a aprender inglês e hoje em dia ele ajuda-me nas minhas dúvidas.

Relativamente à cidade onde habito, confesso que fiquei surpresa, estava à espera de algo mais desenvolvido. É uma cidade enorme mas pacata. É uma cidade vulgar, sem nada de especial, não tem monumentos históricos, uma vez que é bastante recente, mas tem trabalho porque tem petróleo. Apresenta uma diversidade cultural que nunca imaginei que tivesse. Acho que aqui existem pessoas de todos os países do mundo. Incrível! Já tive a oportunidade de conhecer imensa gente da Europa, África, América. Gosto da mentalidade do povo Canadiano.

Recebem muito bem os estrangeiros (não têm outro remédio, são mais que muitos). Aqui há trabalho tanto para novos como para velhos. Fiquei admirada quando vi pessoas com a idade da minha mãe a trabalharem no hipermercado, em Portugal isso não acontece. Onde quer que vás, mesmo com roupa de trabalho as pessoas são atendidas de igual forma. Não colocam pessoas na rua só porque estão sujas. Não se vêm animais abandonados, é muito raro, e nesses casos, depressa são resgatados. Um aspecto que achei estranho é os filhos saírem de casa mal fazem 18 anos. É um alívio para os pais. Bem acho que o povo português não é assim. Nós somos muito protectores. O clima, não podia ser mais diferente. Meu Deus parece inverno o ano inteiro! Contudo acho que passamos menos frio do que em Portugal. As casas são bem preparadas e quentinhas. Os carros praticamente todos têm comando para se ligarem. Claro que é mais difícil para quem apanha transportes. Principalmente quando as temperaturas descem abaixo de 40º negativos. A alimentação não é grande coisa. Muito ao estilo americano, fast food. Embora devido à diversidade cultural também possamos comer comida ao estilo de outros países. Ainda assim é um país onde se tem uma qualidade de vida bastante boa. Ganhamos o suficiente para isso. Sinto-me muito feliz aqui. Embora anseie por visitar Portugal.

Espero em breve poder abraçar os familiares que deixei para trás e que tanto me custou. Comer queijinho de ovelha maravilhoso com pão caseiro, picas de chouriça. Comer a comidinha da mãezinha. Que saudades de tudo!

Estou longe mas trago sempre Portugal no coração, é o nosso orgulho :).

terça-feira, 1 de abril de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Biblioteca

Depois de uma longa ausência, chegou-me às mãos mais um pergaminho... aqui vos deixo este testemunho



Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Biblioteca


Os sonhos são dádivas do destino insondável que escreve as nossas vidas. O acaso proporciona as armas necessárias para a sua concretização e através delas se escreve um futuro novo, ao sabor dos nossos desejos. O sonho mudado à nossa vontade é desejo, é gracejo do destino.


Estes pergaminhos que escrevo tencionam lembrar que cada habitante de Fiacha, tem sonhos que ajudam a concretizar os desejos de outrem, tencionam lembrar os seus próprios desejos esquecidos, tencionam estimular a vontade de os concretizar e tencionam alegrar o convívio pelos gostos e ideias vividas em comum onde a literatura é a ponte que nos une.

Haverá forma mais genuína e bela de se viajar por um vasto mundo da capacidade imaginativa e criativa para além da leitura? 


Eu acredito que todas as formas de arte contribuam para uma vida rica de conhecimento. Mas a literatura guardada em sentimento, marca de forma permanente cada proponente dessa vontade. Em Fiacha existe um lugar mágico onde a literatura é guardada com tamanho carinho por uma das suas leitoras. 

Uma leitora que é sobretudo uma viajante de palavras, que, descobriu na literatura novos lugares onde viver maravilhosas aventuras. Quando inicia uma leitura, salta alegremente para as palavras e viaja através delas, como se, de um tapete voador se tratasse, tal como aquele que conheceu nas saborosas histórias que ouviu crescer. 

Estas viagens saborosas fizeram-na desejar concretizar ansiosamente uma vontade onde cabe um grande sonho. 

No cerne do simbolismo da palavra somos transportados nas asas da imaginação ao encontro de fantásticos e exuberantes mundos onde a alma repousa e amadurece na experiência enriquecedora da viagem por tais lugares. Porque uma história nem sempre é apenas contada, ela é também vivida. Quantas vezes, em pequenos vislumbres a saudosa leitura assombra momentos da nossa vida real e nela transporta a sua magia. Que sensação fantástica é este regresso aos lugares onde ficou um pedaço de nós. 

Fica de lembrança a saudade para lá voltar e o abraço do prazer que deixou na memória apenas porque viajámos nas palavras de alguém. Uma sensação que faz sorrir a alma, que deixa escapar a lágrima derramada em nostalgia e que ocupa o coração da ternura da felicidade. 

Em resultado desta vontade, a leitora começou a construir uma biblioteca, a fim de guardar estas queridas jornadas. É neste espaço genuíno que encontramos uma verdadeira magia.


Ler é encher um pedaço do coração de uma substância única, mas desconhecida, que tem o poder de mexer com os sentidos. Abre um portal dentro de cada um de nós para um outro mundo que não se conhecia e tudo se transforma até ao mundo real. Também eu conheço esta agradável sensação. E como guardiã do tempo que sou, concedendo a graça, guardei no tempo o pergaminho que falou. 


A leitora, uma lince acarinhada em Fiacha, estava sentada no banco de pedra no jardim. A leitura roubava toda atenção dos seus sentidos, como uma qualquer alquimia que transportava todo o enredo que testemunhava para a sua mente e coração. 

O vento parecia, também, deliciar-se com a leitura, insistindo em virar mais uma página, abraçar o final conhecendo a derradeira despedida de mais uma boa história. Ela terminaria ali mesmo, no próximo parágrafo. Abraçou cada pedaço da narrativa, o assombro e espanto despediam-se e uma lágrima rolou, de alegria e encanto. Pois da leitura de um livro fica a saudade e a experiência de outras vivências e com elas aprendemos, reaprendemos, abraçamos e clamamos a sua continuação. 

A brisa acalmou deixando-a namorar o momento, permitindo guardar no coração os seus ensinamentos e aventuras. A leitora expirou fundo em olhar fechado de ternura. Levantou-se como se transportasse um tesouro recém-descoberto. Dirigiu-se ao interior da grande biblioteca e depositou o livro numa prateleira com espaço reservado só para ele. Era um recém-chegado e necessitaria de espaço para ganhar vida. 

Na verdade, aquele local era especial porque nele, existia uma magia oculta e muito peculiar. Na biblioteca da leitora lince, as personagens dos livros ganham vida, adquirem corpo e alma naquele espaço de harmonia e convívio. 

Caminhou nostálgica pelo seu corredor, vislumbrando as personagens vivas dos seus adorados livros. Relembrou todas as viagens que fez ao sabor das suas aventuras. Riu e chorou o que rira e chorara quando as conheceu. 

Vislumbrou, igualmente, a sua biblioteca redonda e romântica como a rima de uma velha canção, exibindo no seu altivo tecto, uma abóbada com vitrais que desenhavam o mapa de tantas terras adoradas: a terra média, Westeros , Avalon, Sevenwaters, entre outras. 

As paredes de pedra adornadas de colunas espaçadas, suportavam as inúmeras e largas prateleiras que se iam enchendo de livros.Bravias heras revestiam a parede aqui e ali, tornando o lugar exuberante e exótico. 

O espaço cheirava levemente a groselha negra, provocado por uma mistura agradável de plantas, uma experiência que Hermione praticava num canto, concentrada e orgulhosa com Potter e Weasley a comer feijões de ranho de trasgo. 

Perto de si, sentados no chão, encontrava-se Gandalf com os encantadores hobbit’s, contando antigas histórias do Shire, os quais, ouviam atentos e curiosos. Num estalar de dedos o feiticeiro provocou faíscas a sarapintar magia e elas transformaram-se em pequenos dragões num combate com orcs. Os olhares prendiam-se àquela magia, saboreando a maravilha ali representada. O dragão negro em tempos fascinara-se a ouvir contar sobre os seus bravos antepassados. 

Do outro lado, sereno, encontrava-se Tyrion Lannister sentado no parapeito da elegante varanda, lendo um qualquer livro sobre a importância de amolar as espadas. Sorriu numa ironia de vontade proferindo numa voz altiva “a mente precisa de livros, assim como a espada precisa de uma pedra de amolar para se manter afiada”. 

Numa outra varanda encontrava-se um sapo saboreando o sol, olhando-a na confirmação do conforto da tarde soleira. A leitora saudou-o num beijo de amizade e o sapo transformou-se em Costi, o príncipe e eterno amado de Jena. Sorrindo, a leitora assistiu à sua correaria pelo corredor até alcançar Jena e as suas irmãs que dançavam para lá das árvores robustas de uma floresta encantada que só se mostrava nas noites de lua cheia. Inspirou por momentos a brisa que há pouco a deixara para aligeirar a saudade e observou o jardim da sua biblioteca. 

Nos campos alongados de prado fértil, soava ao vento, a melodia agradável das doces e felizes gargalhadas de Tuala que observava Bridei a ensinar Derelei a montar um potro. 

Sorcha partilhava a alegria, enquanto colhia as ervas para os seus unguentos, com ajuda da querida Liadan. Bran não se afastava dali, pronto assegurar a segurança da biblioteca e arredores, com especial atenção pela sua adorada. 

Em frente à biblioteca havia um lago limpo e decorado com plantas bravias. Nele, seis admiráveis cisnes saíram da água e logo se transformaram em belos homens que correram a pegar em Sorcha e com ela dançar ao sabor de uma alegria eterna. 

Faolan viria a chegar da vigia da noite e repousou perto de uma macieira aproveitando a sombra, restolhando as folhas para uma sesta confortável. Dali a um momento, fora abraçado por Eile, que lhe ofereceu um desejado sorriso. A pequena Saraid correu divertida até ao pequeno Derelei que brincaram animados. 

Um pouco adiante, Esmeralda colhia flores da Japoneira chamando por Minda que namoriscava Simão, enquanto Quim corria com os seus lobos atrás da negra. 

De relance pareceu ver Fitz Cavalaria a esgueirar-se por entre o arvoredo em direção a um rio próximo. Num movimento rápido e audaz desapareceu, aparecendo Tomé Texugo. 

Mas tal como a negra do Quim, certas personagens, de vez em quando, costumavam fugir da biblioteca, confusa era a sua condição viva. Acontecia normalmente aos recém-chegados. 

A leitora ouviu um ruído e olhou de sobressalto para a entrada da biblioteca, mesmo no local onde deixara o livro. 

Bran acorreu rápido à entrada observando os vestígios da fuga com os seus homens de cara tatuada. Depois de instruções segredadas em gestos, dividiram-se à procura da personagem. Silvério juntou-se ao grupo que procurava encontrar e orientar a personagem fugitiva. 

A leitora preparava-se para sair da biblioteca quando uma voz falou: 

- Aposto que partiu para Al-Rassan – disse Tyrion que voltara a olhar para as páginas do livro que pesava nas suas pequenas mãos. 

- Então é para lá que eu vou – respondeu determinada a leitora corajosa, habituada a viajar por tantos mundos. 

Por debaixo da abóbada, sustinha-se um globo com o mesmo mapa que nos seus vitrais. A leitora olhou-a rodando o globo. A abóbada moveu-se e o globo escolheu um local para fazer a viagem. Al-Rassan. 

Quando se preparava para percorrer no tempo, o Corvo Negro apareceu na biblioteca grasnando em cumprimento. 

Admirado ficou com a magia ali presente. Saudou algumas das suas personagens favoritas, embevecido por reencontrar tantas de que sentia saudade. Instantaneamente reavivou todas as suas histórias. 

- Bem-vindo sejas à minha biblioteca em construção amigo Corvo Negro – saudou a leitora apressada pela demanda necessária. 

- Saudações amiga lince, felicito-te por esta fantástica biblioteca. As personagens parecem inquietas, passa-se alguma coisa? 

Tyrion lannister surgiu ao lado do corvo negro que o olhava astuto e desconfiado, naquele jeito de perspicácia tipicamente dele. 

- Ammar decidiu fugir da biblioteca – respondeu Tyrion enquanto observava o globo – parece que tem assuntos para resolver lá na sua terra.

- Parece-me que sim. Tenho de ir Corvo Negro – respondeu aflitiva a amiga lince afastando-se para o círculo de luz que o sol refletia em Al-Rassan onde a lince esperava encontrar Ammar. 

- Imagino o que Ammar terá ido fazer – riu Corvo Negro na certeza da ideia – foi procurar dois velhos amigos. Não precisas de o ir buscar, basta chamares por ele. Afinal de contas controlas as histórias dentro da tua biblioteca, por isso, vamos fazer uma coisa mais simples. O Corvo Negro oriundo do sangue Fiacha sabe alguma magia. Aprendi algumas coisas com a manha de Fitz. 

Voou até à estante onde o livro “Os Leões de Al-Rassan” encontrava-se descoberto e depositou-o em cima do globo. Agitou as asas estimulando as páginas do livro que correram em história. 

A lince e o Corvo Negro foram levados até Al-Rassan. Aterraram num cenário de beleza onde três culturas se mostravam em bocados de perícia poética. 

Ao longe uma silhueta revelou-se misteriosa debaixo de um véu agitado ao vento, num por do sol fantástico, onde as cores do mundo se misturavam num envolto de vivências enriquecidas de desafios. Atrás de si o poeta e o líder militante juntaram-se à sensual Jehane. 

A lince chamou pela personagem com uma voz que mostrava o caminho de volta. Ammar dobrou-se numa vénia e agradeceu a simpatia. Tão rápido quanto o agitar de asas do corvo, estavam todos de volta à biblioteca. 

A lince Luísa Bernardino, agradeceu ao Corvo Negro pelo regresso de adoradas personagens. Satisfeita apresentou-o a todos os presentes. Depois de uma caminhada por histórias revividas, as personagens voltaram aos seus livros onde permanecerão até a lince chegar ao salão do corvo negro, onde lhe esperam tantos outros amigos, amantes da literatura.

- Quem diria que uma tão grande biblioteca pudesse aparecer e desaparecer assim? 

- Sabes qual é o segredo de tal magia? É que a biblioteca ainda só existe no meu coração – sorriram em uníssono, partilhando o gosto pela leitura e o legado que deixa nas suas vidas. 

Chegados ao salão, recebidos em euforia, a lince levou os convidados a visitar a sua biblioteca onde as personagens dos seus livros voltaram a sair das suas páginas. O salão aqueceu de magia mais uma vez, e mais uma vez o Corvo Negro viajou.


A Guardiã do Tempo